Tive uma crise de vertigem e foi uma das minhas piores experiências. Nada que você faça o faz se sentir melhor, a não ser esperar o tempo passar, demora pouco, porém, nesse caso o pouco era muito e angustiante. Felizmente melhorei, mesmo tendo mais algumas crises durante o dia e o processo se repetir. No final esperava que a velocidade do tempo se acelerasse exponencialmente em cada nova situação.
Nos momentos que ficava melhor entre as vertigens comecei a pensar sobre o tempo e como interagimos com ele. Quando estamos entretidos em uma atividade que nos interessa, o tempo pode parecer passar mais rapidamente, enquanto em situações de tédio ou ansiedade, pode parecer que o tempo passa mais devagar. Por fim, ficamos reféns da velocidade do tempo e da forma como nos arrasta e nos faz impotentes com as mudanças que provoca.
Então, como poderíamos entender a velocidade do tempo? A velocidade do tempo é uma questão complexa e multifacetada, que pode ser entendida de diferentes maneiras, dependendo do contexto em questão. Em geral, a velocidade do tempo refere-se à percepção que temos da passagem do tempo e como ela pode variar de acordo com diferentes fatores, como idade, estado emocional, atividades e experiências.
Em determinados momentos de nossas vidas as mudanças são inevitáveis e significativas, seja mudando de emprego, de cidade, de relacionamento, ou passando por uma perda importante, nesses momentos parece que o tempo está passando muito rapidamente, e que não temos tempo suficiente para lidar com todas as emoções e adaptações necessárias.
É comum sentir uma sensação de impotência ou desorientação, já que as mudanças podem nos levar a questionar nossas crenças e valores, e a nos adaptar a uma nova realidade que pode parecer desconhecida e ameaçadora. Esses sentimentos podem ser intensificados pela percepção de que o tempo está passando muito rápido, e que não temos controle sobre as mudanças que estão acontecendo em nossas vidas.
No entanto, é importante lembrar que, apesar da sensação de impotência, sempre temos a capacidade de escolher como lidar com as mudanças que nos afetam. Podemos procurar apoio de amigos e familiares, buscar recursos para nos ajudar a lidar com as emoções envolvidas nas mudanças, e adotar uma atitude positiva e adaptável em relação à situação. Dessa forma, podemos nos sentir mais capacitados e preparados para lidar com as mudanças, mesmo que o tempo pareça estar passando muito rápido.
Ressignificar o que nos acontece é uma opção que uso muito, a fim de encontrar um novo sentido ou propósito. Quando consigo assimilar as experiências ou mudanças difíceis de superar como uma oportunidade para crescimento pessoal e aprendizado, percebo a passagem do tempo de uma forma mais positiva.
Ao encontrar novos significados e propósitos em nossas experiências, podemos sentir que o tempo passa mais devagar, e que temos mais controle sobre as mudanças que acontecem em nossas vidas. Lembre-se de que a ressignificação de experiências é um processo pessoal que será diferente para cada pessoa. Seja paciente e quando necessário busque um terapeuta.
Uma das abordagens que utiliza a técnica de ressignificação de experiências é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que é uma abordagem terapêutica, baseada em evidências, que se concentra em ajudar as pessoas a mudar seus pensamentos negativos e comportamentos disfuncionais. Um livro que aborda a técnica de ressignificação de experiências é “A Mente Vencendo o Humor”, de Dennis Greenberger e Christine A. Padesky, ambos Ph.D. em Psicologia Clínica.
A CNN trouxe uma matéria recente em que se constatou que durante o ano de 2020, 80% das pessoas com problemas graves de saúde mental não tiveram acesso adequado a tratamentos necessários de acordo com o relatório Uma Nova Agenda para a Saúde Mental na Região das Américas, divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O documento informa também que os países das Américas registraram um aumento de mais de 30% nos diagnósticos de transtornos de ansiedade (32%) e depressão (35%) durante a pandemia de Covid-19.
A investigação da organização também revelou que quadros de depressão e ansiedade são a terceira e a quarta principais causas de incapacidade na população que vive nas Américas, e que o álcool é responsável por 5,5% de todas as mortes de pessoas que vivem na região. São dados preocupantes.
Os reflexos da Pandemia na vida de todos nós ainda serão mais estudados e talvez a pesquisa seja somente a ponta do iceberg. Como a Pandemia mudou a sua vida? Como você interagiu com as mudanças? Lembre-se “Mens sana in corpore sano” ou como se encontra na Sátira do poeta romano Juvenal “Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são”.
Até Breve!

