Em uma de minhas aulas fui arguido pelos alunos e alunas a falar sobre o novo Ensino Médio e se deveria ser extinto ou apenas suspenso. Antes de qualquer fala procurei saber dos mesmos qual o impacto dele em suas escolas e mais ainda se eles sentem que o ensino pode ajudar em suas vidas.
Externaram suas opiniões e em grande maioria disseram que as escolas não estão preparadas para o formato do novo Ensino Médio e tem escassez de profissionais qualificados para tal implementação. Os alunos acreditam na importância do ensino para suas vidas, mesmo dizendo que existe um abismo entre essas duas realidades.
Como toda pergunta numa conversa suscita outras, me perguntaram qual a qualidade que vejo como diferencial para o mercado de trabalho em uma pessoa, independente da profissão. De pronto respondi: Sapere Aude, qualidade essa que penso ser primordial no ser humano, não só relacionado a uma profissão. Uma expressão em latim que significa “ouse saber” ou “ouse pensar por si mesmo”. Ela foi popularizada pelo filósofo Immanuel Kant, que defendia a importância da coragem intelectual e da autonomia do pensamento.
A busca pelo conhecimento e pelo pensamento crítico tem que ser prioridade em qualquer época da humanidade, mesmo reconhecendo que a sociedade é diversa, complexa e com diferentes tendências e movimentos. Assim sendo, temos que incentivar essa busca em diferentes áreas e contextos.
Infelizmente, hoje há nas pessoas uma tendência em seguir opiniões e ideias pré-concebidas, em vez de buscar conhecimento de forma independente e crítica. Isso pode ser resultado de diversos fatores, como a influência das redes sociais, a polarização política e a falta de incentivo à reflexão e ao debate nas instituições de ensino e no espaço público em geral.
Algumas iniciativas julgo serem imprescindíveis para termos uma mudança nesse quadro. Dentre elas a educação crítica nas escolas com metodologias participativas e democráticas, que valorizam o diálogo e a reflexão sobre temas relevantes para os alunos; A mídia independente com veículos de comunicação que buscam oferecer uma perspectiva crítica sobre as notícias e os eventos do mundo, fugindo do sensacionalismo e da polarização; os debates públicos com espaços de debate e discussão físicos ou virtuais que promovam o diálogo plural e o confronto de ideias; e a ciência cidadã como forma de envolver a sociedade na produção e na disseminação do conhecimento científico, valorizando a participação ativa dos cidadãos na pesquisa e na tomada de decisões.
Com isso, creio eu, podemos criar possibilidades se não para a geração atual, pelo menos para as futuras. É importante lembrar que o pensamento crítico é uma habilidade que pode ser desenvolvida e aprimorada por qualquer pessoa, a partir de uma postura aberta, questionadora e comprometida com o conhecimento e a verdade.
No contexto atual de disseminação de notícias falsas ou fake news que influenciam negativamente a opinião pública, afetando a reputação de pessoas e instituições, criando pânico e desinformação, e até mesmo comprometendo a democracia e os direitos humanos, a expressão “sapere aude” se torna uma grande vacina.
Encerro hoje fazendo um convite a vocês, Sapere Aude.
Até Breve!
