Início de feriado do dia do trabalhador e decidi começar o dia despretensiosamente, fazendo aquilo que me apetecesse, como diria Nietsche no seu livro Assim Falou Zaratustra.
Liguei a televisão na Netflix, escolhi o que primeiro estava disponível. Era a série Os Pacientes do Dr. Garcia, ambientada inicialmente na Madri de 1936, quando a vida de um médico muda para sempre depois que ele resolve abrigar um espião ferido e acaba se juntando à luta contra o fascismo, durante o início da Guerra Civil Espanhola e a ascensão do Ditador Francisco Franco. Grata surpresa, no primeiro episódio aparece escrito numa frase ao fundo No Pasaran. Pronto! Nem sabia o que viria, mas, isto me dava bons indícios de que no mínimo a mesma será interessante.
A frase “¡No pasaran!” ou “Não passarão!” em português, foi usada durante a Guerra Civil Espanhola, período do início da série, demonstrando que a história parte de acontecimentos reais, alguns inclusive pouco conhecidos sobre a Segunda Guerra Mundial e o franquismo, casos como o de Andreu Nin dirigente do POUM (Partido Operário de Unificação Marxista) executado em 1937. A mesma apareceu na Batalha de Madrid em sua famosa versão castelhana “¡No pasarán!” por Dolores Ibárruri Gómez, uma das fundadoras do Partido Comunista da Espanha. Ela tirou a frase de um cartaz produzido pelo pintor Ramón Puyol para os republicanos.
A frase tornou-se um lema internacional antifascista e ainda é usada hoje, principalmente nos últimos 04 anos no Brasil quando tivemos instaurado aqui um governo fascista.
Todavia, qual a relação da série com a Catalunha e o Barcelona Futebol Clube? Como a série continua depois da vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola, com o personagem principal vivendo em Madrid depois da segunda guerra mundial, se infiltrando na rede clandestina de evasão de criminosos de guerra Nazistas para a América do Sul com a complacência do regime franquista. Temos na ditadura de Franco, que durou de 1939 até sua morte em 1975, o Barcelona FC e a Catalunha desempenhando papéis complexos e muitas vezes conflitantes. Franco e seu regime espanhol nacionalista, ditatorial e centralizador viam a Catalunha, uma região historicamente autônoma no nordeste da Espanha, como uma fonte de oposição política e cultural.
O uso do idioma catalão foi reprimido, e muitos líderes políticos e culturais catalães foram presos, exilados ou executados. O Barcelona FC, como um símbolo da cultura catalã, foi alvo de repressão e perseguição pelo regime, inclusive com a mudança de seu nome para Club de Fútbol Barcelona e a remoção da bandeira catalã de seu escudo.
No entanto, apesar da repressão e da pressão política, o Barcelona FC e a Catalunha continuaram a ser símbolos da resistência cultural e política à ditadura de Franco. O clube continuou a promover a cultura catalã e a defender a autonomia regional, e muitos torcedores e jogadores do Barcelona FC se tornaram líderes na luta pela liberdade e pela democracia na Espanha. Desde 1960 o termo “Més que un club” (Mais que um Clube, em catalão) é um lema que se tornou associado ao Barcelona FC para transmitir a ideia de que o clube representa mais do que apenas futebol, e sim uma identidade cultural e política de oposição ao regime ditatorial e opressivo, que transcende as fronteiras do esporte.
Hoje em dia, a frase é usada como um símbolo da identidade catalã e do compromisso do clube com a sua comunidade local e com a defesa dos valores como a democracia, a justiça social e a solidariedade. Além disso a bandeira da Catalunha, também conhecida como “La Senyera” que a cada ano tem uma camisa do Barcelona FC em sua homenagem, apesar do design simples, carrega um significado histórico e cultural importante para a região. Ao longo dos anos, a bandeira se tornou um símbolo da identidade catalã e de sua luta pela autonomia política e cultural. Durante a ditadura de Franco, a bandeira foi proibida e seu uso foi reprimido.
A realidade desta luta de um time de Futebol contra um regime ditatorial no Brasil é encontrada de forma mais acintosa, estou sendo generoso, pois na prática há sempre um silêncio sepulcral nos outros grandes times brasileiros e também dos jogadores quando se trata de posicionamento político e de pautas sociais, em dois grandes clubes do Futebol Brasileiro: o Corinthians com sua Democracia Corinthiana, que na época do Dr. Sócrates teve um papel importante na luta pela redemocratização em plena ditadura e atualmente expôs o Crime de Estupro Coletivo envolvendo o Técnico Cuca e outros jogadores do Grêmio em 1987; e no Vasco com sua história de luta contra o racismo e a discriminação, sendo inclusive o primeiro clube de futebol brasileiro a aceitar jogadores negros em seu elenco. Na década de 1920, teve um jogador negro em seu time principal, o atacante Carlos Alberto, mesmo com muitos torcedores de outros times protestando contra a presença de jogadores negros em campo. Apesar das críticas, o Vasco da Gama continuou a contratar jogadores negros e mestiços, tornando-se um símbolo de inclusão e igualdade racial no futebol brasileiro.
Por fim, nós temos que saber que Não é Não e devemos nos unir contra a impunidade de casos de violência contra a mulher, para que não vejamos condenados nestes casos, como o ex-jogador Robinho, andando impunemente pelo Brasil. Que tenhamos mais rigor na lei para estes casos. Quem sabe uma lei e protocolos como a Espanha tem, que o diga o caso do ex-jogador do Barcelona e Seleção Brasileira Daniel Alves que está preso em Barcelona, na Espanha, esperando o julgamento, mesmo sendo um jogador famoso e de sucesso no clube da Cidade. Mas, ao mesmo tempo em casos de Xenofobia e Racismo como o sofrido por Vinicius Jr, jogador do Real, não vemos o mesmo empenho. Lamentavelmente.
Por fim, quero saber a opinião de vocês. No Brasil Daniel Alves teria sido tratado pela justiça da mesma forma? Comente o que você pensa sobre isto. Até a próxima!!!
