Nesta quinta feira (24/03) se concretizou a filiação do Governador da Paraíba João Azevedo ao PSB. Vale lembrar que ele foi o responsável pelo esvaziamento do Partido em 2019, quando se desfiliou sem atender sequer um pedido de diálogo da Executiva Nacional, pois, mesmo estando na Comissão Provisória Estadual, (inclusive com maioria de seus membros, instaurada na Paraíba, depois da renúncia da maioria dos seus membros anteriores), João então desliga-se dela e se desfilia sem qualquer possibilidade de diálogo, negando ao partido o direito de uma justificativa plausível.
Hoje, lamentavelmente, João retorna ao PSB pelas mãos do Presidente Nacional Carlos Siqueira e do Presidente Estadual Gervasio, este último, sendo o que mais insuflou o afastamento e fim da relação existente naquele momento entre o atual governador e o ex-governador Ricardo Coutinho, e antes que queiram negar este fato: lembrem-se sou testemunha in loco destes acontecimentos. Bom lembrar que foi a força política de Ricardo que colocou o desconhecido João no Palácio da Redenção e fez Gervasio o deputado mais votado da Paraíba.
O Governo de João hoje é uma mera caricatura do que foi o governo socialista de 2011 a 2018, quando após 08 anos de gestão não teve sequer um índice de desenvolvimento socioeconômico encontrado em janeiro de 2011 que não tenha sido suplantado, e muito, em dezembro de 2018.
O novo filiado ao PSB encontrou no caixa do governo paraibano, mais de 500 milhões e várias obras em andamento, algumas inclusive faltando só inaugurar, inúmeros projetos sociais, um governo voltado para a inclusão social e combate às desigualdades, com respeito a diversidade de gênero, raça e religião, o pacto social que possibilitava parceria entre os municípios e o estado nas áreas de saúde, educação e social, o orçamento democrático com plenárias por todas as regiões do estado, além de programas de desenvolvimento econômico para empresários e os mais desfavorecidos economicamente e hospitais construídos, inaugurados e em pleno funcionamento, fato este primordial para que a Paraíba tivesse uma rede hospitalar que mitigasse o efeito do Corona Vírus, inclusive tendo o Hospital Metropolitano de Santa Rita como referência nacional no atendimento nas áreas de cardiologia e neurologia. Na educação, João encontrou alunos e Professores da rede pública fazendo intercâmbio em outros países, implantado o 14º e 15º salários para servidores da educação, várias escolas reformadas ou construídas e Escolas Técnicas e Integrais, algo que não existia antes.
O Governador que se filia ao PSB mesmo com todo cenário favorável, fez e faz um governo de desconstrução do modelo que tanto benefício trouxe para a Paraíba. Hoje, João transformou a Paraíba que era referência na segurança pública em um estado com um índice de insegurança alarmante como a muito tempo não se via, desmontou programas sociais, e conseguiu transformar o ritmo alucinante de obras, que era rotina anteriormente, em apenas uma boa lembrança. O governo de João não conseguiu realizar ao menos uma obra impactante na infraestrutura para melhorar a vida do povo paraibano.
No governo João o estado durante estes quase 3 anos e meios, tem deixado estradas e obras de seu antecessor sem a manutenção devida, talvez com o desejo incontido de tentar apagar a força do trabalho, deixando transparecer que aquilo que não consigo igualar, tento acabar para não trazer boas lembranças de um passado recente ao Povo Paraibano. Ledo engano. Por fim, pasmem! João conseguiu levar a Paraíba do 1º lugar no Nordeste e 9º lugar no Brasil no Ranking de Competitividade dos Estados para o 3º lugar no Nordeste e 14º lugar no Brasil, respectivamente.
Hoje o novo membro do PSB incorpora ao Partido, um Governo de uma nota só, que tanto faz questão de apregoar: A Paraíba é o único ‘rating A’ do Nordeste e um dos quatro do País, posição esta que mostra a sua capacidade de pagamento junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), insistindo em olvidar que isto é uma herança também dos 08 anos de gestão socialista, pois a mesma possuía controle fiscal e financeiro dos recursos do Estado, gerando a capacidade de altos investimentos nas diversas áreas, principalmente na infraestrutura com recursos próprios do estado, deixando em caixa volumoso saldo para a atual gestão e inúmeras obras à Paraíba.
Na verdade, o capital político do Governador filiado se resume a uma pecha, diga-se de passagem justa, de TRAIDOR, INGRATO e destruidor de Partidos, PSB anteriormente e agora o Cidadania.
Alguém assim totalmente diferente daquilo que se apregoa na Autorreforma partidária, tão debatida e muito pouco usada no estado. Um governador que defendeu o voto dos deputados na reforma da previdência, em troca de possivelmente receber os royalties do pré-sal prometidos pelo Governo Bolsonaro naquele momento a quem fosse favorável à aprovação da reforma e defende a privatização da água, dentre outros pontos que vão de encontro ao Manifesto do PSB por ora apresentado na autorreforma, pois lá está claro de que “Não se pode mais buscar o modelo que, ao conciliar interesses, se esquece de fazer os enfrentamentos necessários à edificação de uma grande nação. É urgente um projeto político que inverta as prioridades, de tal modo que os mais pobres se vejam à frente das preocupações políticas e do fazer do Estado”.
Esta filiação é puramente casuísta e não balizada nos ensinamentos de Miguel Arraes, João Mangabeira e Eduardo Campos, já que se trata tão somente do abraço de afogados entre o governador João e o deputado Gervásio, em relação ao deputado o mesmo foi negligente e ineficiente na construção partidária e incapaz de construir uma chapa proporcional realmente baseada nos ideais partidários e não resumida como hoje está ao próprio e alguns poucos. Enxergando transformar o PSB Estadual num puxadinho do Palácio da Redenção como forma de tentar salvar seu mandato, já que a outra alternativa que seria a Federação parece cada dia mais distante.
Esquece o deputado que a defesa da federação como forma de salvar o seu mandato é típico daqueles que não entenderam que a tarefa partidária de quem preside um partido no estado é montar chapas próprias para deputado estadual e federal, é contribuir para o crescimento do Partido no seu Estado, é incentivar candidaturas, – principalmente na militância -, é fazer uso transparente e democrático do fundo eleitoral nas campanhas e não se comportar no estado como dono de Partido. Como aconteceu em vários outros estados, a exemplo do Rio Grande do Sul que tem uma chapa competitiva para proporcional e um candidato vindo da militância partidária ao governo do estado.
Quanto a João, o mesmo apenas também procura salvar seu mandato votando em Lula e viu no PSB a única saída que o restou para tanto, como forma de dizer que pertence ao campo democrático e assim pegar os votos da onda Lulista que se espalha pelo Brasil. Porém, esquece de que em ato da transposição acontecido na cidade de Monteiro que contou com a ex-presidente Dilma Rousseff e a Presidenta do PT Nacional Deputada Gleise Hoffmann dentre outras lideranças do PT Nacional, o mesmo além de não comparecer patrocinou um boicote ao evento exigindo que seus aliados não se fizessem presente, com ameaças veladas a políticos e lideranças conforme relatos da época. Ademais, ainda tenta surfar nas ondas de quem de fato o colocou no Palácio da Redenção, usando o mesmo número na campanha que se avizinha. Será que também irá usar a cor laranja?!
Encerro deixando um questionamento: Após a campanha e caso o abraço de afogados se concretize, os dois se manterão filiados ao PSB? Chego à conclusão de que, parafraseando George Orwell, no PSB todos são socialistas, mas alguns são mais socialistas que outros e eu sei onde estou.
Fabio Maia
Membro do Diretório Nacional – PSB
