Meu domingo começou, como sempre, no Choro no Eixo — meu refúgio em Brasília. É lá que encontro uma paz interior rara, seja pela aura acolhedora do lugar, pela gastronomia que encanta, ou, principalmente, pela música. Ah, o chorinho! Escutar André de Sapato Novo é quase como abraçar meu pai. Quanta saudade me invade a cada nota. Esse lugar não é apenas um espaço físico; é um portal para o passado, para memórias afetivas que me conectam diretamente ao Sabadinho Bom, em João Pessoa, onde sempre estávamos juntos. A melodia do choro, intemporal, dissolve as fronteiras entre o que foi e o que é, permitindo que o presente ecoe com ternura o passado querido. Foi nesse templo de boas lembranças que tive meu primeiro e acolhedor encontro com os estudantes da minha amada Paraíba.
Na terça-feira, o cenário mudou, mas o encantamento permaneceu. Recebi a visita dos jovens paraibanos que vieram apresentar seus trabalhos no Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. A presença deles no Palácio do Planalto, local onde símbolos de poder e decisões nacionais se concentram, trouxe um sopro de leveza, inteligência e esperança. Como tenho amigos em comum com os professores que os acompanhavam, o encontro superou a formalidade e se tornou um diálogo verdadeiro, intergeracional, cheio de sentido. Foi como ver, ali mesmo, no coração da institucionalidade, a semente de um futuro possível sendo cultivada com entusiasmo.
Na quarta-feira à noite, a energia nos levou ao Ordinário Bar — um espaço agradabilíssimo que vibra ao som do samba. Foi o palco perfeito para um reencontro do passado com o futuro, em sua forma mais autêntica. Conversar ali com Anna Maria, Bruna e Caio me renovou. Seus olhares curiosos e mentes inquietas representavam o agora em movimento. Eles são ideias em ebulição. Como dizia Alvin Toffler, “os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender”. Essa frase ressoou enquanto ouvia suas visões, seus sonhos, suas dúvidas. A nova geração não apenas desafia o estabelecido — ela reinventa. E isso nos convoca a sair da zona de conforto, a repensar nossas verdades, a ouvir com o coração aberto. Escutá-los é um exercício de esperança.
Agradeço imensamente à “comitiva da Paraíba” por essa visita inspiradora. Foi uma alegria receber Bruna Isabelly, Caio Lívio, Anna Lauhanny, Clarissa Guimarães, Elizabeth Feliciano, Jamily Faustino, Letícia de Miranda, Anna Maria, o professor Edmilson Dantas e a professora Andreia Pequeno. A presença de vocês trouxe frescor, afeto e perspectiva. Obrigado por virem com o coração aberto e por compartilharem não apenas suas ideias, mas sua energia.
Diante de tanta fluidez, de tantas transformações, como podemos — nós, que viemos de outras gerações — acompanhar de verdade essa revolução sensível que se desenha? Como colaborar para que a ponte entre o ontem, o hoje e o amanhã seja sólida, justa e inspiradora?
Talvez a resposta esteja na escuta. Em voltar aos lugares que nos conectam com nossa essência, como o Choro no Eixo me conecta ao meu pai. Em permitir que as novas gerações nos mostrem rotas que ainda não conhecemos. E, acima de tudo, em nunca esquecer que as notas mais bonitas da vida são aquelas tocadas em conjunto — com afeto, respeito e vontade genuína de construir algo melhor.

Gratidão
Boa ????????