Em tempos idos, hoje seria um dia de festa. Dia das Mães. Clássico entre Barcelona e Real. Messi e Cristiano em campo. Minha família reunida: Papai e Mamãe presentes, meus irmãos, sobrinhos e minha filha Elisa ao redor. Meu querido irmão de sangue e de alma, Braulito, companheiro de tantas viagens e histórias. Um cenário perfeito para celebrar o amor, o futebol e a vida.
Mas tudo isso hoje é memória. É história.
O tempo passou. A vida seguiu e, com ela, vieram as perdas.
Minha mãe, meu pai, meu irmão, minhas duas irmãs — todos seguiram seu caminho em direção ao Criador. E eu continuo aqui, vivendo mais um Dia das Mães. Um dia que sempre será marcado pela gratidão, mas também por uma dor silenciosa, que nunca desaparece por completo.
Barcelona já não é o mesmo. Messi não brilha mais no Camp Nou como antes. Agora, há uma promessa chamada Lamine Yamal, em quem deposito a esperança de futuro. O Real também mudou. Cristiano se foi, mas novos talentos mantêm viva a chama da rivalidade. O mundo do futebol gira, se reinventa, como a própria vida. Mas nem tudo é substituível.
Nada suprime o vazio deixado por minha Mãe. Nenhum jogador, nenhuma vitória, nenhuma celebração consegue preencher esse espaço. É um silêncio que fala. Uma ausência que pesa. E, ainda assim, é nesse mesmo vazio que nasce uma nova forma de olhar o mundo — talvez mais madura, mais serena. Um olhar que aprendeu a ressignificar a dor e a valorizar ainda mais os instantes.
Hoje é Dia das Mães. Um dia muito difícil para mim. Um dia em que a dor lancinante, com a qual a vida me ensinou a conviver, faz morada no mais profundo do meu ser, tal qual um espinho a perfurar o peito. Um dia para lembrar que o amor verdadeiro não morre; apenas se transforma. Que seguimos vivendo, mesmo carregando a saudade. Que há beleza também na lembrança — e força na continuidade.
E há ainda a dor de não ter mais aquela casa de saudosa memória para voltar. A falta do almoço dominical, singelo, mas cheio de afeto; do cheiro no ar que anunciava aconchego; do sorriso maior que o mundo e do abraço que parecia deter o tempo quando a gente chegava. É duro perceber que o lar, em sua forma mais pura, também partiu com ela. Porque Mãe é casa, é abrigo, é chão firme — e, quando ela se vai, o mundo parece um pouco mais frio e mais distante de ser lar.
“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.”
— Søren Kierkegaard
Hoje, neste Dia das Mães, faço uma reverência a todas as mães — presentes ou ausentes, eternas em sua doação, insubstituíveis em sua presença. Falo aqui não só das mães de natureza, mas também das mães de afeto, das que acolheram, das que adotaram, das que substituíram com coragem, presença e amor. Mães que surgem na vida de alguém como porto seguro, mesmo que não tenham gerado no ventre, mas no coração.
Que todas elas sejam reconhecidas, não apenas neste dia, mas em todos os dias em que o mundo gira graças ao amor que souberam plantar.
As filhas e aos filhos, um lembrete sincero: abracem suas Mães enquanto podem. Digam o que sentem, estejam por perto, celebrem cada gesto, cada silêncio, cada detalhe. Porque o tempo é veloz, e o amor de uma Mãe — de qualquer forma que ele se manifeste — é um tesouro que a vida nos empresta, mas nem sempre por muito tempo.
Feliz Dia das Mães — com Amor, Memória e Eternidade.
Na foto meus dois grandes amores: Minha Mãe e Minha Filha Elisa.

Que texto! sentimento espremido em cada letra, imprimindo na tela, o afeto singular, único, contudo, plural na forma que a mãe ama, e ensina, que em sua ausência física se transforma em saudade latejante.
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