O ano virou e nada mudou no Brasil. O governo federal continua com seu negacionismo protegido por uma parcela da população que o apoia incondicionalmente.
A crise econômica só aumenta, principalmente devido a retirada do auxílio emergencial para quase 68 milhões de pessoas, que o receberam em 2020, sem perspectiva de vacinação em massa; e para piorar o quadro, indústrias como a Ford anunciando o fechamento da produção de seus veículos no Brasil, além do fechamento de 361 agências do Banco do Brasil atrelada a demissão de 5000 funcionários. Com tudo isso, ainda temos a possibilidade de uma greve de caminhoneiros a partir de 1 de fevereiro.
No cenário mundial, Trump age com seu ódio incontido e em nome da “pseudo” democracia e defesa da justiça (parece que ouvi este discurso por aqui!), querendo manter-se como presidente, apesar de ter perdido o processo eleitoral de forma inquestionável. Felizmente, não conseguiu eco nos tribunais e no Capitólio.
Vamos analisar, inicialmente, a questão da saúde pública, especificamente na questão das vacinas e na vacinação da população. Para tanto, deixo algumas perguntas inquietantes: Até quando ficaremos indiferentes ao descaso com as mais de 200 mil vidas que foram perdidas para o COVID-19? Perdemos a capacidade de nos indignar? Como podemos aceitar o debate ideológico sobre vacinas? Não queremos ser salvos como o restante do mundo?
No geral, vivemos atualmente num limbo em que não conseguimos sair. Primeiro porque uma parte daqueles que votaram em Bolsonaro, hoje, se arrependem e estão quietos como a esperar o que vai acontecer, e assim se mantém devido a vergonha que talvez o paralisem; outros porque ficaram desacreditados da mudança através da política. E, óbvio, temos aqueles que estavam acumulando seu ódio, sua misoginia, seu preconceito e racismo entre quatros paredes e, agora, devido ao Presidente se sentem livres para cometerem suas atrocidades e defenderem o indefensável, com teses estapafúrdias e desprovidas de coerência, apenas alicerçadas no negacionismo da ciência. Porém se mantém firmes no apoio ao “Mito” que criaram em suas mentes pequenas e medíocres.
A vacinação urge e as vacinas estão aí sendo usadas no mundo inteiro, em mais de 50 países com 24 milhões de pessoas tendo recebido a primeira dose. E no Brasil ainda estamos esperando a compra de seringas e aprovação das vacinas. Para piorar nossa realidade, há quem (sempre os mesmos que vivem de explorar o povo) defenda que privilegiados recebam a vacina comprada por hospitais e clínicas privadas em primeiro lugar, pois seu dinheiro pagaria por elas. A vacina não pode ser usada como aumento da desigualdade social e tem que ser feita através do SUS de forma equânime para os brasileiros e brasileiras, seguindo um protocolo de iniciar pelos grupos de riscos.
A defesa do SUS tem que ser tratada como uma questão de Cidadania.
Na esfera econômica, que também está umbilicalmente ligada à Pandemia, é inadmissível que o auxílio emergencial não prossiga em 2021, pois foi o alento para quase 68 milhões de brasileiros que tiveram neste auxílio a garantia da compra de alimentos para si e suas famílias. Tendo inclusive impactado de forma positiva na nossa economia em 2020, principalmente no Norte e Nordeste, segundo a consultoria Tendências, que verificou um aumento do rendimento dos moradores em 13,1% e 8,3%, respectivamente. O estudo aponta também que em 2021, sem o auxílio, a previsão é de queda de 8,5% na região Norte e de 8% na região Nordeste. Isso nos coloca em uma triste realidade com este ano, pois se tivemos em 2020 a volta do Brasil ao Mapa da Fome, imagine a situação agora!
Se temos a necessidade de lockdown ou não, dependerá de como a curva da COVID ficará em alguns locais.
Você que fica usando as redes para combater o isolamento, porque não cobra a vacinação urgente em massa do governo federal? Pois esta seria a forma mais rápida de ajudar a economia. E, você, assim como eu poderia sair de casa de forma tranquila e sem riscos para a minha e a saúde de todes.
Nesse sentido, não nos esqueçamos da responsabilidade que os políticos tem. O Congresso precisa ficar em estado de alerta constante para pautar, discutir e encaminhar as soluções que o Brasil precisa e o Governo apenas escutar os anseios da população que espera de um governante o básico: a defesa de seu povo. Mas cumpra o seu papel também enquanto cidadã e cidadão: use máscara, evite aglomerações e fique em casa, se possível.
