A sala de espera pré-cirurgia não é exatamente o lugar onde se espera ter uma conversa sobre trabalho. Mas foi ali, no meio da apreensão e do silêncio cortado pelo som distante do hospital, que comecei a dialogar com a pessoa ao meu lado. Enquanto minha cirurgia — três placas e 13 parafusos — ocupava minha mente com preocupações no braço e ansiedade na alma, uma pergunta simples abriu espaço para uma reflexão inesperada: a diferença entre fazer e resolver.
Foi nesse limiar entre a incerteza e a esperança que nossas preocupações mais genuínas vieram à tona. E o debate começou:
Eu: “É estranho, né? Estar aqui, à beira de uma cirurgia, e a gente não consegue parar de pensar no depois. No meu caso, o trabalho, as tarefas… tudo fica na cabeça.”
Pessoa: “Pois é. Também estou de licença e fiquei pensando muito nisso: a diferença entre fazer uma tarefa e resolver um problema.”
Eu: “Como assim?”
Pessoa: “É que tem gente que só faz. Cumpre a tarefa, entrega o que foi pedido, e pronto. Não pensa se aquilo resolve de verdade, se ajuda quem pediu. Apenas risca o item da lista.”
Eu: “Entendi… Já vi isso muitas vezes. É o colega que entrega o relatório, mas não se importa se os dados estão claros ou se respondem à real necessidade. Ele fez o relatório, ponto final.”
Pessoa: “Exato! Resolver é outra coisa. É entender o problema por trás da tarefa. É perguntar: ‘por que isso está sendo pedido?’ e ‘como eu posso entregar algo que realmente funcione?’. É ir além da ordem, é buscar o propósito.”
Eu: “Essa conversa aqui me fez pensar. Muitas vezes estamos tão focados em cumprir prazos, em só fazer, que esquecemos de resolver. E, no fim, é isso que nos diferencia.”
A distinção é simples: quem faz apenas cumpre a instrução e segue em frente. Quem resolve entende o contexto, busca a melhor solução e agrega valor. O primeiro é reativo; o segundo, proativo.
A reflexão da sala de espera deixou claro que a verdadeira maestria não está na pressa de entregar, mas na profundidade e na intenção colocada em cada ação. Não se trata de fazer mais, mas de fazer melhor.
Oscar Wilde dizia: “Seja você mesmo. Todas as outras personalidades já têm dono.” No trabalho, eu completaria: seja a solução. Fazer, qualquer um faz. Resolver é o que realmente constrói reputação, abre caminhos e revela caráter.
E você? Está no time que faz ou no time que resolve?

Fomos criados para fazer! Avante guerreiro!
Boa!