O mundo digital foi catapultado na Pandemia, até então o uso de reuniões virtuais, encaminhamento de documentos de forma digital, chamadas de vídeo, ainda não eram tão usadas. Devido ao lockdown se tornou indispensável, e é hoje uma prática corriqueira.
No ímpeto deste universo descortinado, o surgimento de bancos digitais, instituições que não oferecem atendimento presencial, com abertura da conta bancária e movimentações financeiras feitas pelo computador ou aplicativos, sem filas e burocracia é algo cada vez mais utilizado pela população, inclusive por mim.
Essas linhas escritas hoje são justamente sobre uma experiência vivida por mim. Fiz o meu cadastro num desses bancos, mandando os documentos de forma digital e me foi pedido uma foto segurando a CNH para confirmar minha identidade. Não sei porque incorporei que em todos os outros bancos o mesmo modus operandi seria utilizado.
Surgindo assim a Navalha de Ockham ou princípio da parcimônia nos meus dias. método filosófico que sugere que, quando há várias explicações possíveis para um fenômeno, a explicação mais simples é geralmente a melhor. Em outras palavras, a explicação que envolve menos suposições ou hipóteses adicionais é mais provável de ser verdadeira.
Mas, como foi isso? Vamos lá, precisei abrir uma conta em outro banco digital e comecei os mesmos procedimentos, daí surge novamente a minha foto, e, como falei anteriormente intuí que seria da mesma forma, bati a foto e enviei. O Banco recusa dizendo que a foto não estava legível me enviando um novo link para refazer, repito o procedimento e recebo a mesma resposta. Depois de quatro tentativas frustradas, como sou muito cartesiano, tentei refletir sobre o porquê do meu insucesso e crio várias teorias, porém, nenhuma delas com resultado positivo, o banco continuava a me reenviar o link. Cansado dessa eterna briga entre Tom e Jerry, alguns mais novos talvez não saibam sobre o que me referi, eram dois personagens de desenhos animados que representavam a briga entre um gato e um rato, lembro da Navalha de Ockham e finalmente resolvi o problema.
Como resolveu? A solução era a mais simples, o banco tinha outro procedimento e não queria a foto segurando a CNH e somente a da própria. Eu fiquei preso nos meus conceitos e opiniões e não conseguia ver fora de minha bolha. Quantas vezes não acontece isso conosco? Ficamos presos em nossos pensamentos e convicções e não nos permitimos perceber o óbvio ao nosso redor. Precisamos apenas entender que por vezes, como seu criador William de Ockham dizia, a natureza é por si mesma econômica, optando pelo caminho mais simples.
No entanto, é importante ressaltar que a navalha de Ockham não é um critério absoluto para determinar a verdade, devemos ter prudência na aplicação do princípio. Albert Einstein escreveu “tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas, não mais simples que isso”, sendo uma de suas frases famosas que expressa sua crença na importância da simplicidade na ciência e na vida em geral. Sendo um lembrete de que devemos buscar a simplicidade, mas não às custas da precisão ou da compreensão completa de um problema.
Antoine de Saint-Exupéry, escritor do Pequeno Príncipe, escreveu também sobre o tema “a perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar”. A ideia central da frase é que a verdadeira perfeição não está em adicionar coisas, porém, em simplificar e reduzir ao essencial. Ele acreditava que muitas vezes as pessoas se concentram em adicionar mais e mais coisas, pensando que isso pode melhorar algo. No entanto, ele argumentava que a verdadeira arte de se criar algo perfeito está em encontrar a essência, aquilo que é realmente importante, e eliminar tudo o que é desnecessário.
A ideia de simplificar e reduzir ao essencial é geralmente associada ao conceito de minimalismo, que se tornou popular nas últimas décadas em várias áreas da vida, incluindo moda, design, arquitetura e estilo de vida. O minimalismo se concentra em eliminar tudo o que é desnecessário e manter apenas o essencial.
No design, por exemplo, o minimalismo se concentra em criar produtos e serviços que sejam simples, elegantes e fáceis de usar. Isso muitas vezes envolve a eliminação de recursos ou elementos que não são essenciais para a funcionalidade do produto ou serviço.
No mundo dos negócios, a ideia de simplificar e reduzir ao essencial também é aplicada na busca por eficiência e produtividade. Empresas muitas vezes procuram maneiras de simplificar seus processos, eliminando etapas desnecessárias ou simplificando as tarefas para torná-las mais eficientes.
Existe uma busca desenfreada pelo que se criou como o grande objetivo da vida: ter sucesso, como se isso fosse o necessário para termos uma vida plena. Essa busca incessante não nos permite ver o óbvio, ou como diria Saint-Exupéry precisamos refletir sobre a importância de encontrar a essência das coisas e simplificar, ao invés vez de adicionar mais coisas. Talvez seja isso o grande motivo de as pessoas estarem angustiadas, inconformadas com suas vidas e infeliz. Quem sabe a felicidade não esteja na simplicidade? Você pensou em descartar o supérfluo na sua vida? Que tal tentar?
Até Breve.
