Há tempos idos eu ainda era Presidente do Sindicatos dos Professores da Rede Privada em Campina, e não só eu como outros dirigentes estávamos sendo acossados pelos diretores das escolas, na ocasião as oportunidades de emprego eram escassas ou inexistentes. Neste universo de incertezas, resolvi buscar novas possibilidades e mesmo tendo direito a estabilidade sindical decidi que abdicaria da mesma. Aceitando assim minha demissão do Colégio das Imaculada Conceição – Damas e com o valor da rescisão decidi criar uma oportunidade de trabalho para mim e para outros colegas livres das arbitrariedades existentes nas escolas particulares de Campina na época. Começando assim o Aprovação Cursos.
Escrevo isto como forma de lhe situar cara leitora e caro leitor sobre o que escreverei a seguir. Naqueles tempos como é característico de nossa família até hoje, procurei dar oportunidades não só a colegas que estavam sem oportunidades de emprego, como também a professores que estavam no início da sua profissão, bem como e não poderia ser diferente terminou sendo o início no mercado de trabalho de meus quatro sobrinhos: Jr, Braulio Neto, Anderson e por último Kaio que moravam comigo, Papai e Mamãe. Por fim minha Irmã Xenia Maia, nossa eterna Coordenadora se juntou a equipe. Até hoje entrar no Aprovação é sentir Xenia presente entre suas paredes.
Meus saudosos Pais Braulio e Zelia Maia sempre quiseram ajudar de alguma forma. Mamãe com o esteio da sensatez e conselheira pedagógica com sua larga experiência profissional de educadora por décadas em nossa cidade e Papai pelo seu amplo conhecimento em marcenaria, adquirida na Serraria de Vovô Zé Maia, quando lá trabalhou era responsável por construir os quadros ou trocar a fórmica quando necessário dentre outras coisas no seu jeito espontâneo de Professor Pardal, aos mais novos pesquisem quem é o Professor Pardal nos gibis de Pato Donald e Tio Patinhas.
A foto da crônica de hoje é justamente de um quadro do Aprovação Cursos e foi ele que me fez rememorar o passado quando estava lecionando uma aula recentemente para a turma do Curso Preparatório para o Concurso da Policia Civil do Estado da Paraíba. Naquele tempo sempre que havia a necessidade de trocar a fórmica dos quadros pelo desgaste das aulas, vivíamos uma verdadeira epopeia, desde o retirar do quadro da parede, ao transporte lá para a Casa de Papai e Mamãe, depois a troca da fórmica e finalmente o retorno do quadro à parede do Aprovação. Cada uma destas etapas bem poderia ser uma narrativa de uma verdadeira Odisseia.
Lembro com saudade e sem conseguir esconder minha vista enevoada.
Das reclamações, palavrões, orientações e principalmente o desvelo de Papai ao querer ensinar a sua moda (quanta falta sinto dos seus jargões), como sempre fazia questão de dizer, um dos meus sobrinhos que era o ajudante de plantão, Kaio por ser o mais novo não teve esta “turbulenta” e maravilhosa experiência.
Todavia, isto é apenas o início de minhas memorias afetivas e felizmente recalcitrantes saudades, vamos agora para a segunda parte, a troca da fórmica no terraço lá de casa e as “brigas” constantes de Papai e Mamãe, seja porque o quadro estava no terraço ocupando muito espaço, o cheiro de cola de fórmica era forte e ou na sujeira que causava. Isso tudo era motivo de intermináveis “discussões” e não sei até hoje se de pirraça Papai demorava mais do que necessário ou se era o tempo dele em terminar a troca da fórmica, mas que quando vejo um quadro precisando trocar reparos isso me invade com saudades maravilhosas.
Para completar o quadro, veja ele aí de novo, quando chegava no sábado de manhã, dia de feira central, meu inesquecível Irmão/amigo/companheiro Braulito chegava logo cedo depois de ter ido à feira para ser o mediador, mesmo sem querer entrar nesta bola dividida, das “discussões” entre Papai e Mamãe, e, tudo se tornava motivo de muitas gargalhadas contagiantes e eu no meu quarto fazendo de conta que ainda estava dormindo, não resistia e descia para ficarmos conversando sobre a vida, convivência e aquilo que de melhor temos nas famílias: companheirismos e cumplicidade.
É, Papai, Mamãe, Braulito e Xenia, vocês fazem muita falta. Mas tenham certeza de que de vocês guardo em mim as melhoras das saudades. E, em se falando de educação e saudades não poderia deixar de lembrar de minha outra irmã, Socorro Maia, que também fez sua partida. Vocês me tornaram melhor e juntos ajudaram a palmilhar minha jornada.

SAUDADE NÃO TEM IDADE!!!
Uma bela história de uma vida bem vivida, de uma família bem alicerçada e entrelaçada de muito amor e humor. Quanta saudade… bem costurada e sentida num texto primoroso.
Seu irmão Braúlio, se aqui estivesse, estaria como sempre foi, muito orgulhoso de vc e dessa grande família, a qual ele era super dedicado. Parabéns Fábio!