Não é de hoje que sabemos que o esporte e a prática esportiva têm um papel importante na formação de nossos jovens e crianças, porém além disto ações articuladas entre políticas de segurança pública e de educação com envolvimento da comunidade tem contribuído para a diminuição dos índices de violência, principalmente em áreas economicamente desfavorecidas e em situação de vulnerabilidade.
Podemos ilustrar isso com as Unidades de Polícia Solidária, implantadas na Paraíba a partir de 2011, que através da proximidade e colaboração entre policiais e moradores e o esporte contribui de forma determinante para esta integração nas comunidades. Elas têm conseguido uma redução média de 25% dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) nos bairros em que há esse equipamento, conforme dados do Núcleo de Análises Criminais e Estatísticas da Secretaria de Segurança e da Defesa Social (Seds). Vale ressaltar que existem 25 unidades desde 2011, sendo 15 em João Pessoa, 5 em Campina Grande, 2 em Cabedelo, 1 em Bayeux, 1 em Santa Rita e 1 em Guarabira.
Outro exemplo de política pública exitosa é o ensino integral em mais de 150 escolas estaduais de nossa rede que tem, através de atividades no contraturno escolar voltadas ao esporte, as artes cênicas, a cultura e a profissionalização, diminuído a situação de vulnerabilidade de jovens que muitas vezes com sua vida ociosa buscavam nas drogas uma saída para encobrir sua difícil realidade.
No entanto, quero destacar que o esporte reúne condições excepcionais para ajudar as pessoas a terem disciplina, autocontrole e o entendimento da necessidade de termos regras para conviver em sociedade, elementos essenciais para o controle da violência pessoal e, por consequência, a social.
Não é difícil entender que as lutas marciais, judô, karatê, box, muay thai, ajudam nossos jovens a controlar a própria agressividade. Também é fácil perceber que outras práticas esportivas como o futebol, vôlei, basquete, natação, melhoram o convívio social.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) traz em seu Relatório Nacional de Desenvolvimento no Brasil, 2017, um capítulo especial sobre Esporte, Violência e Cidadania, no qual recomenda a prática esportiva para promover a cidadania, prevenir a violência e diminuir as desigualdades.
A própria Constituição Brasileira traz em seu artigo 217 que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um. E que o poder público incentivará o lazer, como forma de promoção social.
A Universidade Federal do Pará, por exemplo, utiliza o esporte como uma ferramenta de integração social. Lá professores do departamento de educação física usaram o esporte para minimizar os efeitos da violência gerada a partir do crescimento de uma favela ao redor do campus. Eles passaram a receber as crianças e adolescentes da comunidade e criaram um projeto em que são ensinadas diversas práticas esportivas. Após alguns anos, a coordenação do projeto realizou uma pesquisa, a qual apontou que entre as crianças que permanecem por mais de um ano no projeto o índice de reprovação e evasão escolar é zero.
Com estas provocações e constatações, convido você a praticar um esporte. Não só por uma questão de saúde física, mas principalmente pela busca do equilíbrio entre corpo e mente.
