Há palavras que passam; outras ficam vibrando na mente como um eco.
“Extraordinário” tem sido esse eco nos meus dias.
Tudo começou quando li uma conversa entre Steve Jobs, cofundador da Apple, e Mark Parker, então CEO da Nike. Fui conferir a veracidade — e, de fato, era real. Parker havia pedido um conselho a Jobs, conhecido por sua obstinação pela perfeição, sobre como manter o crescimento da empresa após um período de estagnação.
A resposta foi direta, cortante e genial:
“Livre-se das porcarias e concentre-se nas coisas realmente boas.”
Essa frase condensa uma verdade essencial para quem busca a excelência: é preciso escolher e perseguir nada menos que o extraordinário.
Como escreveu Will Durant, ao interpretar Aristóteles:
“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito.”
O extraordinário, portanto, não é um luxo — é uma necessidade vital.
Em um mundo saturado de informações, produtos e ideias medianas, apenas o que é genuinamente notável permanece.
Na vida pessoal, a “porcaria” não é um produto malfeito, mas tudo o que drena nossa energia, tempo e paixão sem nos aproximar da pessoa que queremos ser.
O “realmente bom” é o essencial — aquilo que alimenta propósito, satisfação e alegria genuína.
Assim como Jobs cortou 70% dos produtos da Apple para salvar a empresa, também precisamos da coragem de fazer o mesmo conosco.
Identificar e eliminar o que consome energia e rouba tempo é o primeiro passo.
Alguns vínculos, por mais familiares que sejam, precisam ser deixados para trás — como objetos que perderam o brilho com o tempo.
A liberdade de soltar o que pesa é o que abre espaço para o que eleva.
O mesmo vale para os compromissos vazios: reuniões improdutivas, obrigações automáticas, atividades sem valor real.
Nosso tempo é o bem mais escasso que existe — desperdiçá-lo com o insignificante é um ato silencioso de autossabotagem.
Contentar-se com a mediocridade é inaceitável.
Nossa alma clama por algo maior — e o extraordinário nasce justamente da coragem de não se conformar.
Ele está nas relações autênticas que nos lembram de quem somos e nos impulsionam a crescer.
Aprender, criar e se desafiar são escolhas deliberadas de quem deseja viver com propósito.
O extraordinário é um exercício de autenticidade e coragem — um lembrete de que o tempo é finito e precioso demais para ser gasto com o mediano.
Buscar o extraordinário é praticar uma curadoria da própria vida: revisar, selecionar, eliminar.
A vida é uma galeria em constante montagem — e cabe a nós decidir quais quadros permanecem expostos e quais precisam sair da parede.
Não se trata de perseguir a perfeição, mas de garantir que cada escolha diária esteja alinhada à nossa versão mais íntegra e verdadeira.
A pergunta inegociável permanece: O que você precisa eliminar hoje para abrir espaço para o extraordinário na sua vida?
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“Por pura sede de vida melhor estamos sempre à espera do extraordinário que talvez nos salve de uma vida contida.”
Clarice Lispector
Adorei a leitura.
Que texto potente e necessário. ????Me convidou para reflexão muito humana: o extraordinário também precisa caber no possível. Ele floresce quando cortamos excessos, sim mas também quando compreendemos nossos limites, o tempo que dispomos e o corpo que sustenta nossos passos.
Extraordinário para mim é escolher, com gentileza e delicadeza, o que é possível para mim e compreender o pode ou não ser possível para cada sujeito.
A excelência, é esse encontro delicado entre o desejo de ir além e a ternura de acolher quem somos.
Verdade, verdadeira